O jornal Folha de Pernambuco entrevistou o advogado tributarista e sócio do escritório, Alexandre Albuquerque sobre planejamento anual com os tributos. A matéria foi publicada nesta terça-feira (24/02). Leia na íntegra aqui:

O ano só começa após o Carnaval? Saiba quais os riscos de “deixar para depois”

Especialistas alertam que esse pensamento, ainda que inerente à cultura brasileira, traz diversos prejuízos

Morando no Brasil, é quase impossível que não se tenha escutado nos últimos dias o refrão “hoje você pode me esquecer, é Carnaval no Brasil […] só vou te ligar quando chegar abril” entoado pela cantora e compositora Marina Sena em “Carnaval”, parceria com a banda Psirico.
A afirmação de deixar para depois da festa não é exclusiva das músicas de Carnaval: ela já está enraizada na cultura do país de forma que esse fenômeno ocorre mesmo quando os assuntos a serem resolvidos são de extrema importância.

“Na segunda-feira pós-Carnaval, geralmente, está todo mundo sobrecarregado. Imagine quantas pessoas acumularam projetos, trabalhos e programações?”, questionou a psicóloga Adriana Barros. “É mais fácil entrar em ritmo de procrastinação, deixar de lado o que se planejou no fim do ano, e isso traz prejuízos. Quando se procrastina, gera-se um senso de urgência, ocasionando estresse”, frisou.

Segundo o doutor em Sociologia e professor da Universidade de Pernambuco (UPE), Bruno Bispo, o Carnaval é uma fase de separação entre “passado e futuro”.

“Do ponto de vista científico, a ideia de que nada acontece antes do Carnaval é, em grande parte, um mito narrativo, mas que possui uma função psicológica real. Na psicologia e na sociologia, trabalhamos com o conceito de ‘Marcos Temporais’. Assim como o Ano Novo ou um aniversário, o Carnaval funciona como uma fronteira simbólica que nos permite separar o “eu do passado” do “eu do futuro”. No Brasil, especialmente em polos como Recife, Olinda, Salvador e Rio de Janeiro, o Carnaval não é uma pausa na produtividade, mas uma mudança de prioridade produtiva”, explicou.

Pausa

Apesar de manter uma rotina de treinos e alimentação equilibrada, a engenheira e atleta amadora Maiara Pôrto reconheceu que relaxou um pouco com as festas de fim do ano e deixou para resolver a questão depois do carnaval.

“Sabia que durante o Carnaval não conseguiria manter a disciplina. Então, preferi não começar algo que eu sabia que não conseguiria sustentar por alguns dias”, admitiu.

Agora, Maiara precisa “recuperar o prejuízo” para participar de um campeonato em maio.

“Não me arrependo de ter deixado para depois, acho que foi uma escolha consciente. Poderia ter começado antes, mas teria iniciado já frustrada por não conseguir manter. Preferi dividir os momentos. Primeiro aproveitar, depois focar. Agora sinto que estou decidindo de forma mais madura e estratégica”, avaliou.

Planejamento
Mesmo sendo algo que almejava há tempos, a administradora Dayane Lima também decidiu esperar o Carnaval passar para iniciar um novo curso de especialização.

“Eu iria me matricular e logo em seguida já viriam as festas e o Carnaval. Antes disso seria mais ‘enrolação’, por isso preferi deixar para depois”, afirmou.

Além disso, a questão financeira também contribuiu para a decisão da administradora. “Também tem as vantagens do preço promocional. Geralmente, depois do Carnaval, sempre tem promoção para fechar as turmas”, completou.

Segundo o contador e advogado tributarista Alexandre Albuquerque, as pessoas costumam procurá-lo para “resolver a vida” com mais frequência após o Carnaval.

“A programação dos pagamentos dos impostos acaba ficando em segundo plano, até que se acumulam os vencimentos dos tributos com lançamento anual, como IPTU e IPVA, além da preparação para o Imposto de Renda”, explicou o contador.

O especialista indica que o melhor caminho para quem não sabe por onde começar é avaliar o custo do parcelamento de cada dívida.

“O pagamento parcelado dos tributos (IPTU, IPVA e IR) costuma ser mais barato que parcelar uma conta de cartão, por exemplo. Então é preciso levantar todas as dívidas e verificar os juros cobrados”, finalizou o advogado.